PUBLICADO EM: 10/02/2013 ÀS :

Entrevista concedida por João Manoel Custódio de Farias no dia 22 de março de 2010 a Josimar C. Rocha, no povoado Baixão dos Moisés.

 
Para tirar a borracha era o seguinte agente pegava um saco de tubatinga e batia bem batido, ai agente furava um buraco no chão aqui assim, depois botava o saquim, forrava com aquela terrinha ai agente tinha uma lega de fiado de barriga e enfiava no pau e corria assim xiii, xiii, xiii agente fazia três aquaí e ai aia o leite, e ainda hoje tem muita maniçoba não aqui mais lá pra Serra grande, e agora quando era amanhã agente ia pra pegar os quaí já tinha quaíado o leite e ai a gente puxava e botava aqui no saco ou na capanga e ai quando chegava ia lavar pra tirar a terra bem tiradinha, bom ela na água valia 4 real e seco era 8, agente se interessava logo de vender na água porque dava mais, ai agente impurava pra rua pra vender.

Era não, aqui era cheia tinha comunidade aqui como ali no Canto que nos morava lá era plantado meu avô, mesmo eu furava maniçoba era nas capoeiras que. - Pergunta: Os senhores moravam na comunidade e saiam pra procurar as arvores no mato, ou moravam na mata nos barracões?

Ele deixou tinha uns pé lá e tinha também o véi Martim ali pelo Tanque, tinha dez tarefa que eles plantava que chega ficava bunito que já tava todo no ponto de furar.

- Pergunta: Qual era o ano?
Deixa eu ver em que era eu casei, o ramo que eu tinha nessa tempo era esses pé de maniçoba e fazia ação de cangaia pra vender eu impurava com meu pai no mato, nessa época, deixa ver eu casei em 45 (quarenta e cinco),nessa época que tinha essa maniçoba era de 35 (trinta e cinco) pra 40(quarenta), mas já tinha antes mais que eu cheguei a ver foi nessa era.

- Pergunta: O senhor morava na fazenda Canto, quem era o proprietário?
Meu avô Zé Farias, depois meu pai Manoel Farias, meu avô pouco conheci ele, conheci só as capoera que ele fez, ele fez uma capoera pra cá pro rumo quase já na Bahia, numa tal de Lagoinha, ele fez uma sociedade pra derrubar 400 tarefa né,toda de maniçoba, o patão fornecendo, que naquela época a maniçoba tinha muita infuluência mesmo, nessa Lagoinha tinha muita maniçoba boa, essa maniçoba que tem daqui pra Serra Grande ele não é boa ela tem um leite amarelo, ele é ruim de leite, dá um leitim, mais essa ai de perto da Bahia do leite branco tinha muito leite, tinha pé de maniçoba que eu pegava até um quilo nele, tinha uma vairona assim que ia até longe, mais agente com aquela danação matou os pé, eu furava três quai num pé que eles era dessa grossura assim, ai saia pegando e dava quase um quilo, meu avó pegou essas 400 tarefas com um tal de Aquileu, ele era de fora e quando a maniçoba tava assim criando caiu, aí o cabra saiu fora da sociedade e fez ele pagar a parte que era uma parte pra ele e ele fez foi meu avó pagar tudo, quase queria pegar os trem dele tudo lá do canto, mais ele tinha uns amigos em caracol aí ajeitaram uns gado e ele pagou a conta, rapaz eu não sei se era o Joaquim da jia ou o Aquileu, mas eu acho que era o Joaquim da jia, aqui alguns produzia, assim plantava ali tinha o Joaquim Gonçalves e ali no espírito santo ele plantou umas roças ainda deve ter maniçoba que não faz muitos anos não, mais já acabou o valor até eu tava pensando esses dias que tanta borracha encontraram por aí que esqueceram a maniçoba que a borracha era da maniçoba mesmo tem aquela outra a mangaba mais não é tão boa não, tinha seringueira também.
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PUBLICADO EM: 26/05/2013 ÀS :

Caracol 200 anos de história. (1812-2012)

 

Josimar Custódio Rocha. Graduado em História pela Universidade Estadual do Piauí-UESPI. Especialista em Educação pela Universidade Estadual do Piauí-UESPI, atualmente Professor Auxiliar na Universidade Federal do Vale do São Francisco-UNIVASF.



A região de Caracol apresenta longos períodos de secas, com chuvas escassas que se concentram nos meses de novembro a abril. O principal curso d’agua é o rio Piauí, que nasce na cidade de Caracol e percorre as cidades de São Raimundo Nonato e São João, um rio temporário que ao longo do seu curso foi represado, formando lagoas, onde se estalaram as primeiras vilas. A colonização dessa região está ligada intimamente com a introdução do gado na capitania de São José do Piauí no final do século XVII e XVIII. Conforme Macedo (2009). A fazenda foi o principal foco para a vinda e implantação social, embora nas fazendas estivesse que sobreviver sobre a agricultura de subsistência. Com o prolongamento dos currais, vieram as famílias para dentro. A fazenda de criar, por muito tempo no Piauí, constitui-se em estabelecimento único de exploração econômica, em base da sociedade, em formação e centro de relações étnicas e de cultura, segundo expõe Santana (2003, p. 33). O povoamento dessa região está relacionado com o extermínio que dispersou a população nativa. Os fazendeiros da Casa da Torre dos Dias D’Ávila, vindo da Bahia, a partir de 1674, atravessaram a serra dos Dois Irmãos, seguindo os cursos dos rios ocuparam as margens do Gurgueia, Piauí e Canindé. Esses colonizadores lideraram diversas expedições que travaram verdadeiras guerras com os indígenas. Domingos Afonso Mafrense, sócio da Casa da Torre na disseminação de currais possuía inúmeras fazendas na região. (OLIVEIRA, 2001, p.14). Foram diversas expedições organizadas para a dizimação dos indígenas, os documentos apontam para uma provável presença dos Pimenteiras, Acumés e Ariés. Os grupos mais citados por historiadores são os Pimenteiras, que habitavam a região da bacia do rio Piauí, onde compreende os municípios de Caracol à São Raimundo Nonato. A guerra contra os Pimenteiras começou no ano de 1776, comandada por João do Rego Castelo Branco, que dominou o grupo no ano de 1783, mas coube ao Capitão do mato José Dias Soares a tarefa de dominar totalmente os nativos, no inicio do século XIX. Neste período o governador da Capitania era João de Amorim Pereira que ordenou a expulsão dos Pimenteiras da nascente do Rio Piauí, com a justificativa de acabar com os conflitos entre os nativos, aventureiros e colonos. Com a expulsão dos Pimenteiras da cabeceira do rio Piauí, pelo Comandante José Dias Soares, o mesmo solicita ao governador da províncias as terras conquistadas, que foram distribuídas entre seus parentes e amigos, tendo como principais fazendas instaladas na região: Santo Antônio, Conceição, São Vitor da Tranqueira(Povoado de São Raimundo Nonato), Sitio do Meio(Povoado de São Raimundo Nonato), Tamanduá(Anísio de Abreu) e Bonsucesso(Caracol), que deram origem a povoados e vilas posteriormente. Um dos principais cursos de água da região é o rio Piauí, um rio temporário, que nasce na cidade de Caracol e passa por São Raimundo Nonato e São João do Piauí, onde a colonização dessa região esta intimamente ligada ao extermínio dos índios tapuias que viviam a margem do rio. O signo da colonização piauiense faz-se por meio da concessão de sesmaria e da criação dos currais de gado. Tendo seu povoamento posterior a outras regiões, pois os portugueses tinham uma preocupação maior em proteger o litoral brasileiro. Segundo Odilon Nunes (1975) a partir das margens do Rio São Francisco emergem as primeiras bandeiras a busca de novas terras, em 1658 foi empreendida confiada ao capitão Mor Domingos Barbosa Calheiro que vindo de São Paulo, ao chegar à Bahia partiu para Jacobina com uma poderosa expedição, com mais de duzentos homens, ressalta o autor que essa expedição foi completamente destruída retomando poucos anos ao litoral. “O Sudeste do Piauí encontrava-se na rota dos dois pontos de irradiação da pecuária para o interior do Brasil, a corrente baiana e a pernambucana, assim como dos caminhos do gado do sertão para distribuição na Bahia e Minas Gerais”. (OLIVEIRA, 2007, p.26). Em 1912, dois médicos do Instituto Oswaldo Cruz, Belisário Pena e Atur Neiva, em expedição cientifica com a finalidade de realizar um levantamento das condições das obras de combate a seca, onde se pretendia fazer um levantamento sobre as condições de saúde da população do nordeste, os médicos passam por Salvador a Juazeiro da Bahia e de juazeiro ao Piauí, visitando assim as cidades de São Raimundo Nonato, Caracol e Paranaguá. A pesar da má impressão dos cientistas podemos nos remeter a euforia que atraia diversos aventureiros, proporcionada em especial pela economia da borracha de maniçoba, nas cidades de São Raimundo Nonato, São João do Piauí, Canto do Buriti e Caracol, que posteriormente se transformariam em importantes centros comerciais do produto. Segundo Queiroz (2003), no Piauí a população era predominantemente rural. A economia podia ser definida como autossuficiente. A produção agrícola com exceção do algodão, em alguns anos em que os preços eram mais favoráveis geralmente se circunscrevia ao mercado local e a maior parte das necessidades dos habitantes, eram satisfeitas no âmbito da própria família. Ainda segundo Queiroz (2003), móveis, utensílios domésticos, calçados, redes, alimentos, quase tudo era produzido localmente. As relações politicas na região estavam baseadas nas relações de clientelismo, conforme expressa Queiroz (2003). O poder político estava centrado nas mãos dos coronéis, que compunham ou dominavam as Câmaras dos Municípios, cuja "autonomia e independência" a Constituição Estadual de 1891 institucionalizara. O pacto do poder com as oligarquias dominantes garantia a autoridade dos chefes locais, a cuja força e influência se subordinavam, em maior e menor grau, os habitantes das comunas. A lei era determinada ou derivada da vontade do chefe do momento e sua vinculação era menor com o Direito que com a força, a qual se media, em muitos casos pela capacidade de aliciar e comandar cabras ou jagunços e, evidentemente, pelo poder econômico. Assim, a exploração da maniçoba teve início num momento crítico da economia do Piauí. Do ponto de vista do Governo representava a oportunidade de, pela via do fortalecimento econômico, garantir a autonomia e a estabilidade políticas, preocupações básicas do Estado recém-constituído. Do ponto de vista privado abria-se a possibilidade de superação das dificuldades econômicas e financeiras que se intensificavam com a ocorrência frequente de secas no período e pelos reflexos da conjuntura financeira nacional sobre os mercados consumidores do gado. No caso da exploração da borracha de maniçoba a mão-de-obra empregada sob o sistema de barracão, quer em maniçobais devolutos, quer privados, era referida nas fontes de forma bem característica. Eram descritos como grupos de maniçobeiros volantes, masculinos, subordinados a um barraquista e com atividade exclusiva de explorar os maniçobais. Esses grupos eram compostos de dezenas de homens, de idade variável, mas com participação acentuada de adolescentes. Esses grupos de extratores, em função de sua origem, eram tratados como maniçobeiros pernambucanos, cearenses, baianos e adjetivados como turbulentos e malfeitores. Atribuída a situação de desordem e insegurança reinantes nas áreas produtoras. Apesar da aparente homogeneidade da mão-de-obra empregada nos barracões, os trabalhadores eram em grande parte originários das próprias áreas produtoras. A mão-de-obra local dominava nos maniçobais privados, explorados pelos proprietários ou por arrendatários. Dessa forma, os moradores, que contribuíam com o maior contingente dessa mão-de-obra, conjugavam seus trabalhos normais na agricultura e na pecuária as tarefas de extração do látex da maniçoba. Essa transferência de trabalhadores que ocorria durante a safra da borracha, em detrimento das atividades agrícolas, contribuía para acentuar a escassez de alimentos que se registrava nessas áreas. Para tirar a borracha era o seguinte agente pegava um saco de tubatinga e batia bem batido, ai agente furava um buraco no chão aqui assim, depois botava o saquim, forrava com aquela terrinha ai agente tinha uma lega de fiado de barriga e enfiava no pau e corria assim xiii, xiii, xiii agente fazia três aquaí e ai aia o leite, e ainda hoje tem muita maniçoba não aqui mais lá pra Serra grande, e agora quando era amanhã agente ia pra pegar os quaí já tinha quaíado o leite e ai a gente puxava e botava aqui no saco ou na capanga e ai quando chegava ia lavar pra tirar a terra bem tiradinha, bom ela na água valia 4 real e seco era 8, agente se interessava logo de vender na água porque dava mais, ai agente impurava pra rua pra vender. (Entrevista concedida por João Manuel) Sendo assim podemos perceber como era feita a retirada do látex de maniçoba. Na coleta do látex em maniçobais cultivados, como na agricultura em geral, eram empregados homens, mulheres e crianças. Esses trabalhadores eram na maior parte, os moradores das propriedades, que eram remunerados com base na produção semanal. A dinâmica das cidades maniçobeira, conforme expressa Oliveira (2001), é bem acentuada e todas as cidades do sudeste do estado vivenciavam essa dinâmica, envolvidos na extração e comercio da borracha. Como no caso do povoado Guaribas, onde seus moradores enviam em 1911 uma carta ao governador em forma de abaixo assinado solicitando que o povoado passasse a município com o nome de canto do Buriti. Conforme é exposto no trabalho de Oliveira (2001, p.19): A fazenda Canto do Buriti compreende umas oito léguas quadradas, distante 20 léguas de são João, 25 léguas de São Raimundo Nonato e 45 de Floriano, existem mais de 300 situações com criação de gado vacum, cavalar e miunça. O terreno é fértil e cultiva-se a mandioca, milho e cana-de-açúcar. Além de maniçoba nativa, está se desenvolvendo amplamente o plantio das maniçobeiras nas roças, já extraindo leite. Guaribas está situada no centro de Canto do Buriti tem 120 casas cobertas de telhas e calcula-se mais de 6 mil habitantes, diversas casas de comercio, com negócios de fazendas, molhados, miudezas, drogas, cereais, oficinas de alfaiataria sapataria etc. a borracha constitui o melhor negocio. Querem com isso, isto é, vila, melhor meio de comunicação e escolas. (Abaixo assinado enviado pelos moradores de Guaribas ao governador de estado in Oliveira, 2001, p.19) Esse foi um dos pedidos para a criação de vilas que estão relacionados com a extração e o comercio da borracha de maniçoba. No caso de Canto do Butiti a sua elevação a vila aconteceu em 1915, pela Lei 837, de 7 de junho de 1915, sofrendo grande impacto no seu progresso devido a baixa dos preços da borracha, chegando a perder sua autonomia politica em 1931, sendo anexada ao município de São João do Piauí, e somente no ano de 1938 foi novamente restabelecida sua autonomia politica em foro de cidade. O mesmo aconteceu com outras cidades da região, foi o caso de Caracol, que em 1904 foi elevada a categoria de distrito policial, e em 1912 à vila com solicitação justificada pelo amplo desenvolvimento da economia da borracha de maniçoba e o comercio local, no entanto, com o declínio dos preços do látex da euforbiácea a economia da vila estagnou-se, e a sua população sofreu uma redução consideravelmente. Perdendo em 1931 a sua autonomia, reduzida a categoria de distrito de São Raimundo Nonato, onde somente em 1947 retoma sua autonomia desta vez como cidade. As formas de ocupação das terras devolutas entrou em colisão com os interesses dos maniçobeiros o que resultou surgimentos de diversos conflitos na região. Segundo Macedo (2009), a guerrilha de caracol está diretamente relacionada com a expansão da extração da borracha de maniçoba no sudeste do Estado, tendo como fator crucial na busca de novas áreas de cultivo e exploração do látex. Segundo Macedo (2009), A guerrilha de Caracol foi um movimento com proporções consideráveis e ocorreu em um momento não tão distante. Mesmo assim um fato que aconteceu em menos de 100 anos encontrasse poucos registros dos fatos guardados somente nas menores e em poucos trabalhos, assim como a maioria das histórias das cidades e lugares do sertão. Em um período onde o coronelismo dominava a região, onde as relações familiares eram desenvolvidas pelo compadrio. Caracol ainda como vila, tinha suas relações administrativas e econômicas ligadas a de São Raimundo Nonato, mas com grande potencial de crescimento devido a extração do látex de maniçoba, já que possuía vastas áreas de maniçobais nativos. Politicamente segundo Dias (2003), a cidade tinha como representante politico Aureliano Augusto Dias, homem muito respeitado pela população, ainda segundo Dias Aureliano tinha muito prestigio sobre as autoridades do estado, e sobre a população local. Segundo Dias (2003), Aureliano era amigo e colecionaria do então governador do estado Miguel de Paiva Rosa, de acordo com o mesmo a amizade entre os dois era tão forte que em alguns momentos o governador pedia ajuda ao amigo caracolense. Ao findar o quadriênio do Dr. Miguel Rosa, assumiu o governo do Estado do Piauí o Dr. Euripedes Clemente de Aguiar, eleito depois porfiada luta. Aureliano [...] foi solicitado por este a tomar parte da agitação, e mandou a Teresina um contingente de cento e cinquenta homens armados, a fim e tomar parte na reação que o governo intentava impor às forças que pretendiam enxotá-lo do poder. (DIAS, 2003.p.60,61). Porem todo esforço foi inútil, pois a resistência de Miguel Rosa, segundo Dias (2003), as tropas de Aureliano chagando em Oeiras, recebeu ordens de regresso, desde que as forças de Miguel Rosa haviam fracassado e o Dr. Euripedes tomou posse do governo. Podemos assim perceber as relações de clientelismo existente na região, onde os cargos representativos eram indicados pelo governador aqueles que eram seus correligionários. Como a sua empreitada, a fim de, devolver o governo do estado a Miguel Rosa não aconteceu como o previsto, logo o novo governador do estado ocupou-se de realizara troca de seu representante politico em Caracol, colocando o coronel Ângelo Gomes Lima como intendente do lugar. Após, o fato Aureliano deixa a vila e passa a morar em uma de suas fazendas de gado que se situava nas redondezas, segundo Oliveira (2009), Ângelo Gomes Lima conhecido como Ângelo da jia, pois era oriundo da fazenda jia em Pernambuco, começa então a governar Caracol sempre sobre os olhares de seus colecionarias de São Raimundo Nonato e da família Dias. E passado algum tempo a presença de ambos no mesmo ambiente tornou-se insuportável. O descontrole e o choque entre os mesmos permaneciam sobre linha tênue capaz de ceder sob qualquer abalo mínimo de parte a parte. Qualquer brisa era capa de eclodir numa tempestade. Percebe-se isto no motivo da explosão do conflito. (MACEDO, 2009. P.37). Podemos perceber ao analisar a obra de Macedo (2009) que após a sua retirada do cargo de intendente da vila Aureliano, via-se obrigado a tomar o lugar a todo custo já que o mesmo não considerava Ângelo como digno de liderar Caracol, isso por sua vez causou grande indignação de Aureliano. Segundo o senhor Aurélio o que motivou a troca de tiros e o estopim foi uma pea de amarrar burro, que um sobrinho de Ângelo Gomes havia pegado, logo após o furto da pea Aureliano ordenou que seu jagunços fossem “tirar satisfação com o Anjo da jia, ai começou a briga, foi tiro pra todo lado, passaram dias brigando ai na rua”. O que percebemos é que o furto da pea de amarrar burro só foi o estopim que faltava para o enfrentamento de Aureliano e Ângelo Gomes. Segundo Dias (2003), a guerrinha de caracol durou cerca de um ano, onde a vila de Caracol passou por um período de estado de sitio, onde não era permitida a entrada e nem a saída de ninguém sem a permissão de Aureliano, que dominava todas as estradas que davam acesso a vila com seus jagunços. Ainda segundo Dias (2003), forças do exercito do Estado chegaram a tentar entrar na vila, afim de, restabelecer a ordem e expulsar as forças aurelianas, mas sem sucesso, perdendo uma batalha para os jagunços de Aureliano. Depois voltando a São Raimundo Nonato e pedindo reforços retorna para mais uma batalha em sola caracolense, só que desta vez alcança sucesso expulsando Aureliano e seus jagunços da vila e devolvendo o poder a Ângelo Gomes. Segundo Macedo (2009), Aureliano foge para a região de Remanso na Bahia, onde monta uma ofensiva, espera as forças do exercito saírem da vila de Caracol, e volta a atacar as forças de Ângelo Gomes. Que segundo Dias (2003), desde então não se ouviu mais falar do mesmo. As autoridades então são obrigadas a devolver o poder de chefe da vila para Aureliano.



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Prof. Josimar Custódio Rocha é Graduado em História pela Universidade Estadual do Piauí – UESPI. Especialista em Educação também pela Universidade Estadual do Piauí – UESPI. Desenvolve pesquisas em História social e cultural, com ênfase na história do Piauí e da nossa região, além de desenvolver pesquisas em História das Ciências. Atualmente é Professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco-UNIVASF.

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